Apesar de reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde como parte integral da medicina moderna, os cuidados paliativos ainda carregam mitos que afastam pacientes e famílias desse cuidado. Vamos esclarecer os mais comuns.
Mito 1: “Cuidado paliativo é só no fim da vida”
Na prática, os cuidados paliativos devem ser iniciados desde o diagnóstico de uma doença grave ou limitadora, caminhando junto com os tratamentos curativos. Estudos publicados no New England Journal of Medicine demonstram que a introdução precoce aumenta a qualidade de vida e, em alguns casos, o próprio tempo de sobrevida.
Mito 2: “É o mesmo que abandonar o tratamento”
Paliar não é desistir. É cuidar de forma mais ampla. O tratamento específico da doença (quimioterapia, diálise, cirurgia) pode continuar, enquanto a equipe paliativa trabalha o controle de sintomas, o suporte emocional e a comunicação com a família.
Mito 3: “Só serve para câncer”
Cuidados paliativos são indicados em qualquer doença grave e progressiva: insuficiência cardíaca, DPOC, doença renal crônica, doenças neurodegenerativas, HIV avançado, entre outras. Segundo a OMS, cerca de 40 milhões de pessoas no mundo necessitam desse cuidado anualmente.
Mito 4: “É o mesmo que hospice ou eutanásia”
Hospice é uma modalidade específica de cuidado paliativo focada nas últimas semanas de vida, comum em países como EUA e Reino Unido. Já a eutanásia é o ato deliberado de provocar a morte — algo que os cuidados paliativos não fazem nem defendem. O objetivo é aliviar o sofrimento, não encurtar nem prolongar artificialmente a vida.
Mito 5: “Vai acelerar a morte”
O controle adequado da dor e outros sintomas com medicações como morfina, quando prescritas corretamente, não acelera a morte. Pelo contrário: pacientes bem cuidados costumam apresentar melhor funcionalidade e bem-estar.
O objetivo dos cuidados paliativos não é adicionar dias à vida, mas adicionar vida aos dias.
Mito 6: “Só o médico faz cuidados paliativos”
O cuidado é essencialmente multidisciplinar: médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, capelães e voluntários trabalham em conjunto. Cada um contribui para dimensões diferentes do cuidado integral.
Mito 7: “Não há o que fazer”
Quando ouvimos que “não há mais nada a fazer”, na verdade há muito a fazer: controlar a dor, acolher medos, facilitar conversas difíceis, realizar desejos, preservar dignidade, apoiar a família no luto antecipatório. Cuidar é uma ação ativa até o último momento.
Começar a conversa
Se você ou alguém próximo convive com uma doença grave, vale perguntar à equipe de saúde sobre a possibilidade de envolver um serviço de cuidados paliativos. Esse diálogo, quanto mais cedo, mais possibilidades abre.