Voltar aos artigos Sintomas 2 min de leitura • 13/04/2026

Controle da dor em cuidados paliativos: estratégias integrativas

Dor não controlada rouba dignidade e qualidade de vida. Conheça a escada analgésica da OMS e as estratégias integrativas que fazem diferença.

Editorial Cuidados Paliativos
Editorial Cuidados Paliativos
Conteúdo editorial baseado em evidência, referenciado em diretrizes da OMS, NHS e…

A dor é um dos sintomas mais temidos e mais comuns em pacientes com doenças avançadas. Entre 60% e 90% das pessoas em cuidados paliativos convivem com algum grau de dor — e a boa notícia é que, em grande parte dos casos, ela pode e deve ser controlada.

Princípios do controle da dor

A Organização Mundial da Saúde propõe cinco princípios básicos, que continuam válidos depois de décadas:

  1. Pela boca — sempre que possível, preferir a via oral.
  2. Pelo relógio — horários fixos, não apenas “se necessário”, para manter nível plasmático estável.
  3. Pela escada — progressão gradual conforme intensidade.
  4. Para o indivíduo — doses ajustadas caso a caso.
  5. Com atenção aos detalhes — reavaliar sempre.

A escada analgésica da OMS

A escada propõe três degraus, de acordo com a intensidade da dor:

1º degrau — dor leve

Analgésicos não opioides: paracetamol, dipirona e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Podem ser associados a adjuvantes como anticonvulsivantes ou antidepressivos.

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2º degrau — dor moderada

Opioides fracos: codeína, tramadol. Geralmente associados aos do 1º degrau.

3º degrau — dor intensa

Opioides fortes: morfina, oxicodona, metadona, fentanil. Usados com segurança quando prescritos e titulados corretamente.

O medo da morfina mata mais do que a morfina. Quando usada corretamente, ela é segura e transformadora.

Tipos de dor e abordagens

  • Dor nociceptiva (somática/visceral) — responde bem a opioides e anti-inflamatórios.
  • Dor neuropática (nervo lesionado) — requer adjuvantes como gabapentina, pregabalina ou amitriptilina.
  • Dor mista — combinação das anteriores, muito comum em câncer avançado.
  • Dor total — conceito de Cicely Saunders que integra sofrimento físico, emocional, social e espiritual.

Estratégias não farmacológicas

O cuidado integral envolve recursos além do remédio:

  • Calor e frio local
  • Massagem e fisioterapia
  • Acupuntura
  • Mindfulness e técnicas de respiração
  • Musicoterapia
  • Psicoterapia de suporte
  • Cuidado espiritual

Reavaliação constante

A intensidade, a qualidade e as circunstâncias da dor mudam. Por isso, é essencial reavaliar sempre usando escalas como a EVA (Escala Visual Analógica) ou a escala numérica de 0 a 10, e ajustar o plano terapêutico.

Controlar a dor não é apenas tratar um sintoma — é devolver ao paciente a possibilidade de viver, se relacionar e despedir-se com dignidade.

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